quarta-feira, 12 de novembro de 2008

(In)Tolerância - 2

Pois é...nem sempre tudo é como parece e a grande maioria das vezes não é bem como a gente quer. Eu gostaria de não dar tanta importância assim para os comentários dela, mas o que vou fazer? Ela é minha mãe...e foi durante muito tempo que a vi como uma pessoa perfeita, difícil entender que ela não é...que é ser humano como eu ou você e que eu já sou adulta suficiente para viver e responder pelos meus próprios atos. Como é difícil cortar essa relação de dependência! Como é duro trabalhar isso dentro de mim!
Mas falemos de coisas melhores, porque esse assunto daria um blog inteiro...e eu quero evitar pensar e maquinar coisas antes do tempo. Aliás, o Tempo será meu maior parceiro nessa jornada.
Ontem foi meu primeiro dia de trabalho de branco na casa. Eu estava ansiosa durante todo o dia, extremamente agitada...mas não tanto quanto na terça passada (quando tivemos um trabalho pesado e eu tive uns sonhos estranhos). Ontem eu me sentia tranquila e preparada, em paz com a decisão tomada.
Acompanhei a Cabocla Jussara durante todo o tempo, como cambona. Aprendendo e escutando os ensinamentos dessa mulher forte e tranquila. Sua expressão é séria, e isso assustava alguns...mas aos poucos fui percebendo que suas palavras eram como um mel doce nos ouvidos dos consulentes (e nos meus, porque não dizer!). Fiquei atenta a todos os movimentos e ensinamentos, com medo de perder alguma informação para anotar...mas sinto que deu tudo certo!
Em um determinado momento fui chamada a ser benzida (eu estava mesmo precisando, estou com uma rinite alérgica infindável faz mais ou menos 1 mês) e senti a presença de alguém junto a mim. Durante toda a gira não tive problemas de tosse ou do nariz escorrendo (não tanto quanto o dia), e isso já me alegrou bastante...Hoje mesmo me sinto muito melhor!
Ao final dos atendimentos, talvez como algum merecimento pelo trabalho feito...não sei, o Pai pediu para que a Cabocla Jussara "puxasse" a minha Cabocla. E foi o que aconteceu. Engraçado eu perceber na hora a presença dela, firme e suave ao mesmo tempo. Senti ela dançando e mexendo, senti ela rindo e dizendo não ser a hora de falar seu nome ainda. Nunca havia sentido sua presença, pois até então eu acreditava ser protegida por um Caboclo (e talvez seja também...rs)...foi ótimo percebe-la junto de mim. Diferente de quando a Preta Velha se aproximou, quando senti o pescoço duro e um enjoo forte, a Cabocla veio e se foi com uma tranquilidade surpreendente. E fiquei sentindo a felicidade dela, por estar de volta para fazer caridade, durante o restante da noite.
O Pai cruzou minhas guias ontem, agora estou mais protegida do que nunca...rs
O trabalho feito para a mãe de uma pessoa da casa foi pesado, mas honestamente eu nem senti...o mal estar da semana passada foi zilhões de vezes mais forte. Ficou apenas uma sensação de gases e uma dorzinha incomoda na lombar (que passaram logo que sai do centro).
Eu estava ótima, feliz, viva...me sentindo leve e disposta. Mas a ligação da minha mãe minou as minhas forças...e isso me incomodou demais. Não sei trabalhar com isso ainda, não sei fazer direitinho...tenho tanto a crescer nesse ponto! Fiquei irritada e triste, pra baixo...tentando lembrar das vibrações da cabocla e da alegria do Pai Preto (que tirou um barato da cara dos meninos no fim da gira...rs)...mas foi difícil.
Cheguei em casa e tomei um banho rápido, tentando fazer o mínimo de barulho possível...pedindo a todos os meus que me fizessem dormir assim que eu caisse na cama, pra poder esquecer. As pernas começaram a doer, resultado da força da minha Cabocla (ainda não acostumada a vir a terra comigo) e o peso na cama foi imenso. Aos poucos dormi, escutei ao longe uma chuva forte e pedi as Iabás para que lavassem todo o mal, toda a intolerancia, toda a magoa e raiva com aquela chuva...e consegui dormir ainda melhor.
Ela não me chamou hoje. Eu escutei ela levantar e ir no banheiro, escutei ela passando pela minha porta sem entrar...apenas sentada na cama é que ela me olhou e disse um "bom dia" seco.
E assim começou meu dia.

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