terça-feira, 11 de novembro de 2008

(In)Tolerância

Depois de um dia longo e agitado ontem, de um monte de dúvidas...um monte de respostas e puxões de orelha...acho que recebi uma recompensa.
Os puxões de orelha foram no bom sentido. Encontrei um blog em que existem muitos textos bacanas para nós, que estamos iniciando os trabalhos na caridade atraves da mediunidade. Esses textos falam sobre todas as angústias e ansiedades que nos acometem e nos "dão um breque", afinal de contas...pra que tanta pressa, non?
As vezes acho que estou com pressa porque vejo o tempo que já perdi, mas ao mesmo tempo sei que esse tempo foi necessário para que eu chegasse até aqui da forma como sou hoje. Ontem, lendo os textos percebi que eram "para mim". Eram aquelas palavras que eu precisava "ouvir". Não preciso ter pressa em descobrir nomes de orixás ou arquétipos ou incorporações...não preciso ficar com medo e me adiantar perante minhas visões ou sensações, só me basta a paciência, discernimento, humildade.
Pedi aqueles que me acompanham auxílio nessa minha ansiedade em ajudar os outros. Pois antes de tudo preciso ajudar a mim mesma.
Pensando em tudo isso fui pra casa, e uma mansidão boa e gostosa tomou conta do meu coração. Acabei me acalmando.
Mas, como toda véspera de terça-feira (dia de trabalhos no centro), eu fico ansiosa por causa dos meus pais. Ao mesmo tempo que sei que eles já sabem, também sei que ainda não aceitam...que ainda não veem com bons olhos o que está acontecendo. E até pior: preferem fingir que não veem. Isso me machuca e preocupa. Assim, arrumando minhas coisas discretamente para amanhã...eu escutei minha mãe chegar (normalmente ela chega cedo às segundas, mas desta vez foi MUITO cedo) e minha espinha gelou.
Da mesma forma que eles fazem de conta que não sabem, eu faço de conta que não sei. E foi assim até a hora de eu me preparar pra deitar.
Foi quando minha mãe perguntou se "eu ia lá no Rodrigo de novo"... E o que me surpreendeu não foi a pergunta...foi a maneira como foi feita. Ela estava calma, ela estava consciente, ela estava receptiva e não agressiva. Foi natural. E isso me deixou feliz.
Quando ela descobriu que eu estava indo, achei que iamos ter uma briga muito grande em casa. Não sei o que houve comigo naquele dia, mas eu estava tão tranquila, tão forte, tão firme no que eu estava fazendo, tão certa do que estava acontecendo...que eu não deixei ela "subir" em cima de mim. Ao contrário, fiz ela ver (mesmo que somente depois, eu sei) que suas palavras foram duras e cruéis. Ela arrasou meu coração como nunca pensei que pudesse fazer, foi muito difícil e tive medo de fraquejar...pois amo demais minha mãe pra ve-la sofrer. Contudo, naquele momento eu soube também que eu não podia mais sofrer para agradar aqueles que amo...pois isso, em algum momento, ia faze-los sofrer ainda mais. Trocando em miúdos: se eu não me amo, se eu não me cuido...eu entristeço aqueles que me querem bem.
Ontem, com as palavras da minha mãe...tão simples, tão corriqueiras...eu pude ter certeza de que ela só quer me ver feliz. E ela não vai interferir no meu caminho...porque ele é meu. E ela quer o meu bem.

Paz e Luz

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