Esse foi um fim de semana duro. Cheio de mudanças, cheio de certezas, cheio de decisões.
Começou na sexta a noitinha. Eu já havia percebido que minha mãe estava agindo de forma estranha comigo, cada vez mais distante. E eu estava cada vez mais triste. Quando cruzei com ela no caminho pra casa, foi como se dessem um golpe no meu coração. Senti a frieza, a angustia, a incerteza nela...e aquilo mexeu comigo profundamente, como tem mexido nos ultimos dias. Eu só queria que ela compreendesse e que não nos distanciassemos por causa disso. Qual não seria minha surpresa ao saber que era o que ela não queria também...
Mas naquele momento eu não sabia...naquele momento só veio aquela tristeza imensa, aquela dor que não tinha tamanho. Cheguei em casa e tudo vazio, tudo bagunçado por causa da reforma, tudo fora de lugar...eu não me reconhecia naquele lugar, eu não me encontrava. E comecei a chorar. Mas não foi um choro suave, foi o choro de alguém em desespero, completamente desamparada...eu estava tão triste que não aguentava mais guardar, e aquilo transbordou. Fiquei quase 1 hora chorando...quase 1 hora gemendo de dor, de tristeza, de solidão...a presença deles em torno de mim as vezes era acolhedora, mas as vezes só me fazia sentir ainda mais sozinha.
Me acalmei e fui tomar um banho, relaxando um pouco...mas não diminuindo a tristeza. Sair com meu noivo aquela noite me fez muito bem.
No dia seguinte, outras sensações de incomodo com ela. Cada vez mais eu percebia que a pressão era enorme. Resolvi que ia dormir na casa do meu noivo, primeiro pra fugir dessa situação...segundo porque eu não estava aguentando minha casa daquele jeito todo bagunçado e empoeirado. A tarde, enquanto descansavamos no quarto dele, comecei a me sentir mal de novo...na verdade, não tinha deixado de sentir isso. E recomecei a chorar. Simplesmente não estava aguentando aquele aperto dentro de mim, precisava sair...ele me abraçou e ficamos ali juntos durante muito tempo. Ele me fazia carinho e escutava, e eu só queria que aquela dor sumisse. Foi quando lembrei da minha pedrinha, aquela que a Cabocla Tainá me deu. Peguei ela da bolsa e coloquei perto do meu coração, as vezes voltando a chorar...mas me acalmando devagarinho. Eu comecei a perceber que estava morrendo de saudade da minha mãe, que eu não queria me distanciar dela, que ela estava sendo orgulhosa de não falar comigo, mas que enquanto não conversassemos isso não ia resolver, que eu estava crescendo rápido e ela não estava lá pra me acompanhar, e que minha maior dor era não poder compartilhar com ela todas as coisas incriveis que eu estou vivendo. Esses pensamentos foram vindo, sendo compreendidos, sendo assimilados e dispersos em mim...e eu fui acalmando. No fim acabei dormindo com o Ro do meu lado, me velando.
Foram 30 minutos de um sono tranquilo...acordei apenas uma vez, achando que algum celular estava vibrando. O meu noivo riu, e disse simplesmente: volte a dormir, quem esta vibrando é você! Mais tarde, aí sim, escutamos meu celular. E imagine você, era minha mãe...um pouco "chorosa", perguntando se eu ia mesmo dormir no meu noivo.
Isso não foi um acaso. E decidi, em seguida, voltar pra minha casa.
Foi importante e muito positico ter feito isso. Jantamos todos juntos, e percebi que ela estava carente disso. Carente de nós todos. Talvez, carente de si mesma. No meio de umas conversas, ela falou: "estou na sindrome do ninho vazio". Olhei pra ela triste...as vezes não sei se ela aguenta nós dois casando (eu e meu irmão). Mas ele, meu irmão, que não perde a piada...quebrou o gelo dizendo pra ela botar um ovo...rs
Dormi muito bem de sabado pra domingo...foram 10 horas de sono, interrompidas apenas por uma confusão da minha cabeça...achando que era dia de semana e acordando atrasada. Quase que fui trabalhar no domingo! rs
Ela tinha ido na missa, e eu fiquei em casa arrumando os meus pertences pra essa semana de pintor. Quando ela chegou, avisei que o meu noivo ia almoçar conosco...e ela respondeu de forma tão estupida, que quase gerou uma discussão! Fiquei muito magoada com a maneira como ela falou...mas eu estava me chateando por qq coisa que ela falasse, então...
Foi quando eu fui buscar uma água na cozinha e ela estava fazendo o almoço. Meu pai tinha ido buscar leite...estavamos sozinhas. E na hora que ela falou que precisavamos conversar, eu soube que a hora era aquela.
Resumindo, foi muito melhor do que eu imaginava. Conversamos tranquilas, sem nenhuma exaltação. A primeira questão foi justamente o maior medo da minha sogra: a influencia. Eles achavam que eu tinha sido influenciada por alguém. E foi aí que eu tive a oportunidade de contar pra ela sobre os anos que guardei isso pra mim. E ela entendeu... apesar de ter ficado magoada, como imaginei, ela entendeu. Muitas coisas ainda irão acontecer. Muito ela ainda vai se magoar, assim como eu. Se ela está triste pela minha decisão, eu estou triste por ve-la tão chateada assim. Tomar a decisão de seguir uma outra crença foi muito difícil. Muito. Justamente porque eu tenho a idéia de quanto isso abalaria a estrutura familiar de casa. Mas é isso que ela não quer. E isso me deixou feliz. Ela não quer que isso nos afaste.
As únicas coisas difíceis pra mim foram quando ela falou sobre eu não mostrar o que estou fazendo pra ela...isso porque eu sou absolutamente discreta, e também sobre o fato de eu não poder fazer as coisas que costumo dentro de uma igreja católica. Sao esses os dois pontos que ainda ficaram bastante pendentes. No mais, conseguimos deixar as coisas as claras.
O clima melhorou um pouco em casa. E melhorou muito dentro de mim. Estou bastante confiante que isso irá passar no momento certo.
Ontem a noite senti a força de todos eles, e acredito ter visto o rosto da Cabocla e do Antigo. Mas não tenho certeza...
Mais tarde coloco umas coisas que senti a respeito das pedras e da Vó.
Paz e Luz
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