quinta-feira, 25 de junho de 2009

A importância de ser Cambono

Muito se fala no desenvolvimento da mediunidade com relação à incorporação e à passagem das entidades na Umbanda. Muito se coloca que enquanto você não desenvolver uma boa incorporação, semi-consciente, auxiliando e praticando a caridade com suas entidades você não é um bom médium.

Mas eu tendo a discordar dessa postura. Porque uma das formas mais fantásticas de desenvolver a mediunidade e a caridade é através da prática. E essa pratica, para mim, é ser cambono.

No começo tudo é ansiedade, vontade de aprender, de fazer logo as coisas... Chegamos a ficar tristes quando nos informam que – por enquanto – seremos cambonos e ajudaremos a organizar as atividades do terreiro.

Quanta ingenuidade nossa! Mal sabemos o quanto é essencial para nosso crescimento essa etapa.

Pois é aí que aprendemos o jeito de cada linha de trabalho, a como lidar com a assistência e a contar o tempo para auxiliar as entidades no seu retorno à Aruanda. Também conhecemos os tantos “pais” e “avós” e “boiadeiros” dentro de nosso espaço de trabalho, percebendo até mesmo a nuance no rosto do médium quando as entidades chegam à terra.

Começamos a entender que o melhor é saber ouvir, ouvir muito! E respeitar aquele que vem em busca de auxílio, conforto ou consolo no momento de seu desabafo. Conhecemos que não existe certo ou errado, mas sim que temos um caminho a seguir e é o livre-arbítrio que nos fará chegar aos objetivos de nossa vida, independente do como e do porquê.

Descobrimos as cores das velas de cada Orixá, seus pontos cantados e também os deslizes que não devemos cometer como médiuns, mas que possivelmente cometeremos porque ninguém é perfeito e todos estamos em desenvolvimento.

E quando o dia parece que não está indo bem e que você nem tinha vontade de ir trabalhar em seu gongá, você de repente descobre que as palavras faladas pela entidade à assistência na verdade são pra você. E só pra você. E acaba recebendo da risada do Preto Velho aquela confirmação carinhosa de que, sim, você nunca está sozinho.

Seu próprio corpo, como cambono, acaba se tornando uma ligação entre entidade e assistência. Esse auxiliar que muitas vezes se identifica com o meio físico, esquece que é um médium e que a vibração energética da entidade também passa por ele no momento do atendimento. Então aprendemos que somos ponte, que somos elo de ligação e que aquele arrepiozinho na nuca não era exatamente frio.

Aprendemos a identificar qual entidade está mais próxima e quando acender o próximo charuto... Quais ervas são melhores para fazer banho e quais os ambientes para oferendas.

Aprendemos. Aprendemos muito.

E quando menos percebemos, estamos começando a dar passagem às nossas próprias entidades, estamos incorporando, estamos dando passes e atendendo à assistência...

As etapas de nossa vida como médium são todas importantes.

Ser cambono é poder entrar em contato pela primeira vez com esse novo mundo místico, espiritual, mental e emocional que é a Umbanda. É o primeiro passo. E se cada um de nós der um bom primeiro passo, os próximos serão mais seguros e firmes.

Por isso, aproveite seus momentos como cambono e deixe que o conhecimento, a energia e a paz espiritual te preencham.

Pois você acaba de iniciar seu caminho...

Com um ótimo primeiro passo!
 
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